Náni
JOGOS SOCIAIS (T01E04)
Quando se joga com outra pessoa há que ter cuidado muito simples. Evitar que essa pessoa seja o criador do jogo. Enquanto o adversário for igualmente o criador do jogo nunca saberemos se vai aparecer mais alguma regra, algum bónus, alguma possibilidade de ganhar o jogo se estalarmos 3 vezes os dedos ou se arrotarmos bem alto.
- Epah… este jogo é a tua cara.
- É bonito?
- Não vamos por aí… É muito… interactivo.
- E isso não é o objectivo dos jogos em geral?
- Sim, mas este é especial!
- Claro. E como é que se joga?
- Vais ver que é fácil. É bastante intuitivo.
- Mas… é parecido com algum que eu conheça?
- Imagina o “Países“, mas mais interactivo.
- Ok, vamos experimentar.
…
- Mas então por que é que tu não tens que dizer mais animais com Z?
- Então porque fiz um Kasching! Kasching! na jogada anterior!
- Desculpa a minha ignorância quanto às regras do teu(!) jogo mas… o que é um Kasching! Kasching!??
- (iiii) pah! Não te tinha explicado?
- Por acaso, não.
- Foi uma regra que surgiu agora…
- AHHhhhhHHHHH!!
- O que foi?
- Agora já percebi o que querias dizer com interactivo.
- Que queres dizer com isso??
- Nada nada. Gosto muito de jogar contigo.
…
- Como se chama o jogo mesmo?
- … (Hmmmm)
- …
- Não tem nome?
- Tem tem. É Náni!
- O jogador?
- Nada a ver. Lê-se Ná-Ni.
Regras do Náni >> Em actualização
(n.d.b. Dedico este artigo aos criadores de qualquer tipo de jogo, e do Náni em particular)
Monopólio
Jogos sociais (T01E03)

…
- Então, mas… se não tens dinheiro como podes comprar e eu não? Como vais comprar essas casas todas?
- Vê-se que não percebes nada do mundo financeiro!
- Mas eu gosto de aprender. Me explica!
- Aqui vai! Embora a crise financeira tenha afectado todos, e de certeza mais a ti do que a mim, como sou a banca, o Estado dá garantias por minha mui nobre pessoa. Está tudo bem!
- Que bom! Assim depois podes continuar a possuir imensos investimentos, inclusivé 4 ou mais casas e transformar algumas em hotéis!
- Sim. Mas olha, embora goste muito, mas muito de ti… sabes que tenho que te cobrar as mensalidades de viver nas minhas casas, pisar os meus terrenos e os juros sobre os juros.
- E se eu tiver mesmo aflito?
- Vais à casa de banho. Porém! Repito, porém! Se de aflito, sentires que tens a corda no pescoço, nós passamos a tua dívida para um fundo e continuas-me a dever o mesmo dinheiro. Só com mais alguns euros de diferença, coisa pouca.
- Isso não é muito parecido a pagar juros durante 40 anos?
- Sim, é.
- Então já estou habituado…
Fui cometer novo erro. Fui jogar Monopólio com um amigo meu que é banqueiro, aliás bancário e além da explicação económica sobre a situação financeira habitual, aliás actual, também me deu um verdadeiro show de Monopólio! Ele parecia que antevia os meus movimentos, que me tirava notas do bolso, que inventava regras ou pelo menos ia buscar a lupa nesse momento, para me mostrar que a regra sempre esteve lá. Eu é que «apenas» queria brincar e não tinha lido atentamente o manual de instruções, a culpa não era dele. Mas minha também não! Não tenho culpa que estivessem quase a dar os «Morangos com açucar»!
Dito isto, e passados poucos minutos e uns tantos lançamentos de dados quando já todo o Portugal era dele. De lés a lés! Aquilo que pensava que tinha conquistado, esfumou-se em hipotecas e complicadas transferências bancárias. Acho que nem chegado 3 voltas ao tabuleiro e já não tinha propriedade nenhuma, só conseguia andar de estação em estação, dormir no parque de estacionamento e ir assaltando algumas casas.
Resultado: acabei na prisão sem passar pela casa de partida e sem ganhar os 2000 escudos!

Scrabble e volta a dar
… Jogos sociais (T01E02)
- GKJ? Desculpa, mas não são permitidas siglas.
- Peço desculpa, não sabia. Estou habituado a ganhar.
Jogos sociais, o prolongamento da relação entre pares. Mas há que escolher bem os “pares”. Começo a perceber com quem devo ou não jogar. Claro que gosto de ganhar, mas gosto também de um pouco de luta, agora não ter qualquer hipótese de ganhar enfurece-me. Logo, evito jogar com certas pessoas a certos jogos. Se jogar com a Maya às cartas já acho que tenho poucas hipóteses, então com jogar a um qualquer jogo de palavras com peças de madeira com letras cravada com um qualquer médico, farmacêutico ou enfermeiro faz-me acreditar no impossivel. E na lobotomia. Vale 13 pontos, mais se apanharmos uma casa de triplo.
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- Desculpa lá, mas isto já é demais! Ainda há pouco aceitei CAFUBIX e depois utilizaste a minha amiga OLGA para escrever QUOLGATE… mas… o que é VEMPYJOZIA?
- Não sabes??? É a doença que se adquire quando se tem poucos pontos.
- Não me digas… só se for quando se cose um ferida superficial causada por uma serra eléctrica, não?
- Não não. Esta está documentada. É quando se joga Scrabble!
- Ao menos podias ser meigo com as doenças e com as consoantes de alto valor! Estou sentido.
- Olha, então vou usar este teu L, aquele E e vou pôr um O e um V.
- L-O-V-E… que bonito! Não queres antes brincar comigo a uma luta de almofadas?

Baralha e volta a dar
Jogos sociais (T01E01)




- Vamos fazer uma coisa, baralha e volta a dar.
- Já te disse que vais perder na mesma.
- Isso também não é cientifico. Podes às vezes ver as coisas desfocadas, perdes a vantagem.
- O que não é cientifico é se fizesse aparecer ases ou tirasse coelhos da cartola. Isto é ciência.
- Adivinhação é ciência?
- Olha, não negues á partida uma ciência que desconheces…
- Também te digo, essas regras que vais inventando, já não percebo nada. Porque é que o “Ceifeiro da Morte” vale mais que a minha “bisca”?
- Regras são regras, eu não as invento. Apenas as interpreto.
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Jogar contra a Maya ou contra um qualquer vidente (não confundir na zona norte do país com, bidente, pessoa só com dois dentes), seria à partida o pesadelo de qualquer aluno a frequentar a universidade. Em geral, seria para todos os jogadores de cartas, inclusivé grande parte da população idosa masculina que se encontra nos jardins de todas as cidades e vilas. Contudo, talvez os universitários até tenham hipótese de ganhar, mais que não seja, pelo que ouvi dizer, a Maya fosse capaz de perder de propósito tanto que ela gosta de miúdos.



(… continua…)
