Ser macaco
Sou totalmente a favor das manifestações. Se alguém está descontente com algo e se sente no seu direito constitucional de protestar, que o faça.
Ou se cale para sempre.
Aliás, acho preferível um manifestação de desagrado ao invés de fingir que tudo é um mar de rosas onde espalhamos as nossas vibrações positivas, tal e qual a rádio tenta espalhar as suas ondas hertzianas pelo ar que ouvimos! Se não conseguimos difundir a palavra o melhor mesmo é manifestarmo-nos e fazermo-nos sentir.
Por muito que isso seja desagradável para com terceiros.
RTP retira da emissão anúncio à Antena 1 que gerou polémica
Mas… Porquê?
Porque houve pessoas que não gostaram? Porque tinha poucos efeitos especiais? Porque não era uma longa metragem? Porque tinha diálogos mal construídos? Porque não representava a realidade?
Porque são porcas! Poderiam dizer alguns. Mas tanto podiam ser porcas como podiam ser parafusos, elefantes ou macacos e o resultado seria o mesmo. Um anúncio molda-se à realidade de um público alvo e os demais que se quiserem juntar a ouvir e a ver. Quem não quiser pode pegar num objecto chamado “telecomando” e mudar de canal para ver outros anúncios. Tal como mudamos de rádio quando a música, a conversa ou o anúncio não nos interessa.
E da próxima vez que mudar de canal televisivo talvez veja mais algum anúncio que fique incomodado. Pare e pense. Ou mude de canal!
Alguém questionou que o macaco poderá estar a dizer a verdade? Já alguém ficou incomodado por o elefante ser grande e oponente poder, e estar, a gozar com o macaco? E se o elefante estiver a mentir? Afinal nós conhecemos bem o Babar ou o Dumbo… agora aquele, não me lembro de o ver mais gordo. E será que os animais falam na realidade? E ninguém fica incomodado com a conotação negativa que se dá à palavra/animal, macaco?
Temos o direito de mudar de canal.
Temos o direito de nos manifestarmos.
Temos o direito de fazer anúncios.
Temos o direito de sermos macacos.
Oh stôr!
- Oh stôr!
- Diz Mané.
- Não se vai esquecer da avaliação na 5ª feira, pois não?
- Não pode ficar para outro dia?
- Stôr! Já tinhamos marcado isso há duas aulas atrás!
- Eu sei Mané, mas a Joana pediu-me, porque a mãe dela só me pode vir avaliar nesse dia.
- Mané tens que deixar. A minha mãe na 4ª já vai avaliar se a professora de História tem um bom ponto-cruz e isso ainda demora um bocado. Não vai ter tempo para tudo.
- Só isso? No outro dia a minha mãe que é ministra conseguiu avaliar praí uns 10 mil professores. Isto só até à hora do jantar!
- Enquanto fazia o jantar?
- Não. O meu pai é que faz. Ele diz que ele é a mulher lá da casa. Acho que o professor também o podia avaliar um pouco…
- Mas Mané, ela vai avaliar também o professor de Inglês e se a professora de Matemática pode ir connosco na visita de estudo. Por isso tem mesmo que ficar para 5ª.
- E como fazemos isso agora stôr? É o único dia em que pedimos comida de fora e o meu pai pode vir à escola.
- E não podes trazer umas fichas de avaliação e eu faço isso em casa?
- Oh! (th!) …É que a minha tia, irmã do meu pai, também vinha com ele.
- Mas olha Mané, não sei se estou muito interessado em ser avaliado pela tua tia… já te falei em trazeres a tua irmã mais velha. Gostava de avaliá-la melhor.
- Mas stôr, quanto à minha irmã digo-lhe já que nem a precisa de avaliar. É mesmo pura*!


* pura
