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Mulheres feias

Uma mulher feia para mim não me convém

Eu não quero andar na rua

Com o espantalho de ninguém.

in cancioneiro popular

Em continuação, diz-nos o cancioneiro popular que a mulher do Mickey também não nos convém. Ninguém quer andar na rua com a rata de ninguém.

Em contrapartida, a sabedoria popular indica que nem sequer existem mulheres feias. Apenas homens que bebem pouco.

Pois bem. Se no caso da Minnie ainda posso concordar, e com tantos problemas de higiene e vírus que as ratas têm, quem não deve partilhar do mesmo temor? No caso do beber, e presumo que se estejam a referir a bebidas alcoólicas, estou em total desacordo. Eu pessoalmente, a única vez que bebi uma bebida alcoólica e facto pelo qual fiquei grogue, não achei que as mulheres que se encontravam comigo tenham ficado mais bonitas, mesmo após essa ocorrência! Tudo bem, encontrava-me na tenda dos horrores do circo Cardinali mas… e depois? Se tudo isto fosse verdade, certamente que passado alguns goles de cidra com hortelã devia começar a achar lindos os olhos da mulher barbuda. Os seus sovacos sensuais. E a sua barba mais fofinha!

Mas não. Não foi isso que aconteceu.

O que acho, e isto já é uma opinião bastante ponderada, é que quando as mulheres bebem é que ficam mais bonitas. Muito mais bonitas, mesmo! Quantos de vós já não viram mulheres bêbadas a arrastar a língua pelo balcão do bar, na casa de banho com a porta aberta ou sentadas no lancil passeio quase a cairem para a estrada e a única coisa que vos veio à cabeça foi:


Estás bonita,
tás!


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Na boa

Quando alguém grita «BoA!», a primeira coisa que a pessoa comum faz é encolher-se e de cócoras e ainda com os olhos semi-cerrados olhar ligeiramente para cima, em direcção do galho de árvore mais próximo com todo o cuidado do mundo. É que não se pode subestimar a selva urbana em que vivemos, nunca se sabe de onde uma Corallus caninus pode aparecer!

Porém para minha grande estranheza há uns dias atrás, à frente da entrada para um clube nocturno, ouvi claramente no meio de um grupo, “Pessoal, vamos entrar?”. Entre os mais indecisos, sobressaiu uma voz de comando. “Na boa!

Na boa. Fiquei a reflectir sobre aquela expressão durante todo o tempo que decorreu entre me ser vedada a entrada na dita discoteca e a chegada do táxi. Na boa. Percebi pouco a pouco que aquele jovem não estaria certamente a referir-se à cobra. Quanto muito conseguiria pôr um braço ou um “cotozinho” mas dificilmente conseguiria entrar todo na boa. Matutei, matutei. Vocês não sabem quão proveitosos foram aqueles 15 euros gastos na viagem de táxi. Dei por bem empregues as 4 voltas consecutivas à rotunda do Marquês e o atalho pelo Monsanto. Não é todos os dias que conseguimos ficar tão elucidados em relação a determinadas expressões utilizadas hoje em dia. Na boa. Talvez pela flora que me rodeava naquele momento, fêz-se luz! Ele estava-se a referir a uma categoria de rapariga. A boa. Não necessariamente verde, aquele jovem tinha feito a sua escolha sexual e anunciava a aos seus amigos. Qual rei de uma zona florestal densa gritando para o seu povo:

boOOHOOohaaooooOHOOOoouooOOhHooaaaAhhHH!!

(grito de Tarzan, como devem ter notado). Se era para entrar, a sua escolha recaía na boa.

O que me começou a assutar a seguir a este vislumbre zen foi o quantas vezes eu já tinha ou teria ouvido aquela expressão na minha vida. Milhentas pensei. Milhares de milhentas. Talvez mais. E se muitas vezes terei ouvido «na boa», talvez nunca terei ouvido «na feia» ou «o interior é que conta»! É que, ao que parece ninguém escolhe a má, a gorda, a feia ou a «melhor era horrível». Nem sequer a simpática. Mas também se querem saber, por mim é na boa. Um pouco de concorrência nunca fez mal a ninguém!

O que me faz ter maior consideração e de certa forma me preocupa nas boas é que os niveis de exigência para ser boa são naturalmente tão altos devido a uma concorrência imensa, quase animal, que lhes pode provocar algum stress e inúmeros distúrbios alimentares. Deve ser dificil estarmos a ser constantemente julgados, tanto pela fauna de machos circundante como pela fauna de fêmeas concorrentes. É aqui que penso se dá o chamado sentimento de estar no «Laberinto del fauno». Por isso, é precisamente a nível mental que elas mais são testadas. Se por vezes coisas insignificantes como não ter uma perna, ter multiplas cicatrizes na cara ou ser bastante peluda já são entraves bastantes a nível fisico para ser uma boa, é, a nível mental que as boas mais são avaliadas e criticadas. É que pensam sempre. Mentira. Pensam algumas vezes… Mentira. Pensam poucas vezes…. …. bem. Como é que consigo dizer isto?! … As pessoas comuns não pensam que elas são inteligentes! Eu claro, sou contra este tipo de pensamento. Aliás, se alguma boa conseguiu ler até aqui, tão longe que está de casa, a minha força vai para ti! Agora descansa um pouco, não quero que fiques com um aneurisma.

Um abraço muito grande para todas as boas e não desistam de ser o que são!

(n.d.b. Criticam este blog às vezes por falta de um pouco de perspectiva feminina. Porém, na parte que me toca, como notaram, estou a tentar e vou continuar a tentar arduamente dá-la mais… na BoA!)