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Belo par

(continuação) 

“Nem sempre, a tradução literal consegue capturar o real significado das palavras”

 

Forgetting Sarah Marshall
Forgetting Sarah Marshall Um belo par de patins

 

Há pouco tempo senti que tinha que aprender inglês. Ou melhor, re-aprender. Já que nem um simples título de cinema conseguia traduzir para português! Afinal percebia substancialmente menos que pensava. E pensar mais do que se percebe é muito mau. Dá urticária e um cansaço desnecessário. Resolvi desde então só pensar tanto quanto percebia. Pouco, ou muito pouco, mas pelo menos fazendo-o em inglês para ir melhorando. E dei por mim nas tardes de domingo a passear de fato-de-treino no shopping center a tentar traduzir tudo o que me aparecesse à frente e mais-que-tudo a aprender com as traduções de títulos dos filmes feitos por mestres na arte da tradução anglo-lusa!

E pareceu-me que foi de um momento para o outro, uns 15 ou 16 fins-de-semana depois de me ter começado a aplicar que tudo começou novamente a fazer mais sentido. Mais Sentido! Entrava em discotecas e lia “2 Discs”. Dois Discos. “Internacional”, internacional. “Indie”, índio. Entrava em lojas de roupa, hamburgarias, papelarias, “Record”, recorde, “Reader’s Digest”, a digestão do leitor. “Pull & Bear“. Puxa e urso. “Hamburguer Special”. Hamburguesa normal mas com ovo estrelado. Tabacarias, lojas de electrodomésticos, sapatarias, “Nicotine”, Fumar Mata, “Diskman”, diskman, “Micro-Wave Oven”, forno micro-ondas. “Timberland”, de onde abatem a madeira que transportam pelo “Timberlake”, campo de golf.

Até no supermercado! Lembro-me como se fosse ontem. Estava já eu na caixa de pagamento, a passar a grade de minis, a água (faz toda a diferença) e os pacote de amendoins e  de TexMex, quando me lembrei que me tinha esquecido de melões para acompanhar o presunto de Chaves. Lembro-me de ter pedido à menina da caixa, que prontamente no alto da sua voz rouca e radiofónica pegou no microfone:

«Patinadora… Patinadora chamada á frutaria! Seguindo com 2 melões para a caixa nº 37, sem passar pela peixaria, pelo corredor dos iogurtes e derivados do leite, enlatados e luzes de marcha-atrás!»

Quando aparece a dita cuja, formou-se um momento verdadeiro zen. Já pensava, falava e sonhava em inglês. «Mas que bela patinadora… com um Forgetting Sarah Marshall e um patinar suave, um Forgetting Sarah de curvas a contornar a promoção de atacadores para sapatos, um Forgetting Sarah de curvas a delinear o uniforme de polo justo e calção de licra… uma bela patinadora com um Forgetting Sarah de melões e a acompanhar um lindo Forgetting Sarah Marshall in-line amarelo torrado de Downhill Slalom.»

Ahhhhhhhhhh… Lembro-me como se fosse agora!

 

E agora que me lembro disso… até que era um deslumbrante Forgetting Sarah Rollerblade’s dourados de hoquei patinado!!!!

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Perdido nas traduções

*    nomes  provavelmente  ficcionados  para  proteger  a  identidade  dos  intervenientes

 


Lost in Translation  O Amor é um Lugar Estranho

 

Ir ao cinema começa a deprimir-me.

Esta situação não depende do filme escolhido. Não tem nada a ver com as companhias. Não tem a ver com o som ou imagem. Não tem a ver com agulhas nas cadeiras do cinema. Não tem a ver com conforto. Nem sequer com o facto de quando vou com amigos a probabilidade de perder o primeiro minuto de filme é de 50% devido a pipocas, desleixo, atraso, atar atacadores, “um snackzinho”, bilhetes, relógio, bebidas, estacionamento.. já disse atraso? Nem sequer se essa probabilidade aumenta exponencialmente ao ponto de quase não ser uma probabilidade, mas sim uma certeza, quando esses amigos têm nomes* começados em: “Ahn”, “Raq” e “So”; e acabados em: “Dre”; “el” e “fia”, não necessáriamente por esta ordem. NÃO! Nem sequer é por isso. Apenas, e este apenas ainda me entristece mais, é porque afinal o meu nível de conhecimento da lingua inglesa é mesmo muito, muito rudimentar. MUITO-RUDIMENTAR. MESMO!

Chego a um cinema e com os meus olhos a cintilarem ao ver as estrelas de Holliwood, começo a olhar para os cartazes dos filmes, vejo o titulo original e traduzo para português. E… estou errado. Vezes e vezes sem conta. E eu até era um bom aluno a Inglês. Escrito e falado. Até já fui ao estrangeiro! E no estrangeiro falava com os estrangeiros e os estrangeiros percebiam-me e eu percebia os estrangeiros. E costumo usar palavras como “car-jacking” e fazer “brainstorming”. E por isso tudo, e mais algumas coisas, pensei que tivesse aprendido bastante da lingua inglesa. Mas pelos vistos, e tendo em conta as traduções dos titulos dos filmes, não sei. E isso, começa a deprimir-me. Eu não queria, mas começa…              MESMO!

 

Ficam alguns exemplos, 


The Nightmare Before Christmas  O Estranho Mundo de Jack
The Break-up Separados de fresco
Sleepy Hollow A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça
You, Me and Dupree Eu, Tu e o Emplastro
Imagine Me and You Imagina Só

See No Evil O Coleccionador de Olhos
United 93 Vôo 93
Brother Bear Kenai e Koda
Die Hard Assalto ao arranha-céus
Die Hard 2 Assalto ao aeroporto

Stoned Stoned, Anos Loucos!
Saw Saw, Enigma Mortal
Ocean’s Eleven Ocean’s Eleven, Façam as Vossas Apostas
Scary Movie 4 Scary Movie 4, Que susto de filme!
Volver Volver – Voltar

The Big White  Quem está Morto Sempre Aparece
Eight Below  Antárctida – Da Sobrevivência ao Resgate
The Other Half  Euro 2004 … Amor e Futebol
Lie with me Vem comigo
Are we there yet? Estás frito, meu!
Clerks II Nunca tantos fizeram tão pouco
Beetlejuice Os Mortos Divertem-se

Hard Candy Hard Candy
Hostel Hostel
Date Movie Date Movie
Chicken Little Chicken Little
Stay Alive Stay Alive

 

Shaun of the Dead Zombies Party

 

 

«continua»